Foi você quem disse que eu deveria “me resumir a minha insignificância.”
Ainda assim eu deixo deitar na minha cama todos os dias.
Você grita e grita e grita e joga um abajur contra mim.
O porteiro chama a policia e eu peço que não.
Não faz isso com ela não.
Talvez eu não mereça a sinceridade, talvez eu não mereça nada de bom.
Você ressalta o pior em mim e ainda assim eu fico.
Respiro cada palavra que você diz como se fosse oxigênio.
Porque você mentiria?
Logo para mim.
Você grita e grita e grita e joga uma panela contra mim.
O porteiro chama a policia e eu peço que não.
Não faz isso com ela não.
Diz que vai mudar,que vai melhorar, que vai na terapia e o raio que te parta.
Pelas janelas os vizinhos assistem e acham graça. Eu com esse tamanho todo?
Você com as chaves na mão grita que dessa vez vai embora de vez e eu vou morrer sozinho.
Ninguem vai me querer.
Só você.
Ninguém no mundo inteiro.
Só você.
Ninguém.
Você tem esse poder, de me amarrar no chão só com a força do pensamento.
Eu estava esperando que você fosse a merda.
E você nem existe.
É só o espelho.
Você nem existe.
Grita e grita e grita e grita.
Você tem a minha voz.
Você taca o abajur em mim com as minhas próprias mãos.
O porteiro quer chamar a policia e eu peço que não.
Não faz isso comigo não.
Eu nem existo.